Ainda mantendo o tema das recordações da meninice e juventude, estamos a lembrar-nos do início da construção da estrada nacional 1, actual IC2, com particular destaque para o troço entre a Tremoceira e os Moleanos.
Os mais antigos contavam que esta nova via seguia o traçado da antiga Estrada Romana Lisboa-Braga.
Lembramos que o troço entre a Tremoceira e o Chão da Feira já se encontrava em construção, quando se iniciou aquele a que nos situamos.
Por esta altura, grande parte dos moradores das Pedreiras ficou com as suas propriedades cortadas, por via da passagem da via, assim como os caminhos de acesso aos lugares da Tremoceira, Outeiro de São Sebastião, Casal da Luísa, Barreiro, Azoio, Dinês, Venda e mais a sul à Boieira.
Propriedades separadas ao meio, caminhos cortados e, casas alagadas, para desgosto dos seus proprietários.
Enquanto uns estranhavam e anteviam sérias dificuldades nas aberturas que se deviam fazer nos pequenos montes, nomeadamente Outeiro de São Sebastião, Outeiro e Carrascosa, por se tratar de grandes aglomerados de rocha, outros diziam que “agora já há máquinas para tudo”. A verdade é que os ditos montes foram cortados e a via aberta.
Recordamos que isto se passou em finais da década de 1950.
Apesar das contrariedades de que os moradores locais se queixavam, as obras avançaram e, para as executar vieram pessoas de vários pontos da região e não só.
O primeiro empreiteiro que adjudicou a construção do troço Tremoceira-Moleanos veio de Rebordosa, zona de Penacova e chamava-se Eugénio Fernandes. Este fez a abertura da toda a estrada até à terraplanagem.
Apesar de virem muitas pessoas da região para trabalhar nesta obra, verificou-se que havia necessidade de mais trabalhadores, razão por que o empresário teve de procurar mão de obra noutras zonas, tendo-a encontrado no Alentejo, sendo que os primeiros trabalhadores vieram da zona de Gáfete, freguesia pertencente ao concelho do Crato.
Mais tarde veio um outro empreiteiro, de nome António Margarido, que tinha a sua sede em Santiago da Guarda, Ansião.
A inauguração e abertura oficial deste troço, ocorreu a 20 de Agosto de 1965, como se pode verificar na notícia publicada pelo semanário “O Mensageiro”, datado de 2 de Setembro daquele ano.
O semanário leiriense referia que com a abertura desta estrada “a distância entre Leiria e a capital encurtou-se cerca de 16 quilómetros”, uma vez que se afastou de “centros populacionais para melhor corresponder às necessidades actuais dum trânsito rápido, expedito e mais seguro”.
Trata-se de uma via com enorme afluxo de trânsito, sobretudo de viaturas pesadas.
Fontes:
“Pequena Monografia das Pedreiras”, Pedreiras 2007;
“Pedreiras: Um século na história”, Pedreiras 2024.


