No passado fim de semana, viajei até Setúbal. Depois de vender o meu vigésimo rim desde o fecho do Estreito de Ormuz, atestei o carro com gasóleo a 2.15€ por litro, e lá fui eu a caminho da terra natal do António Ferrão. Como copilota, levei a minha esposa, que ia dar um concerto por lá, sendo que nesta viagem de 300km (ida e volta), perfiz um consumo de 4.3l/100km. Feitas as contas, cerca de 27.74€ de combustível (ou 22kg de bananas, se por algum estranho motivo precisarem desse termo de comparação).
Como tentamos sempre fazer, saímos de casa relativamente cedo, de maneira a poder conduzir com calma e prevenir eventuais percalços na viagem. Nem sempre é possível. Por vezes, a agenda dita que os horários são mais apertados. Menos tempo, mais velocidade, maior consumo. Neste caso, nem seria preciso muita velocidade; bastaria estar mais distraído com o pé no acelerador, que o consumo facilmente disparava mais um litro aos cem, para 5.3. Não parece muito, pois não? Vamos a contas!
Esta mesma viagem, com um bocadinho menos de calma, passaria de custar 27.74€ para 34.19€. A diferença de 6.45€ corresponde a um aumento de 0.50€ por litro! O pé leve e condução prudente deu-me um desconto por litro que nem o principal acionista da vossa gasolineira favorita teria direito! Melhor, nem sequer foi desconto em cartão, foi mesmo direto para o bolso.
Quem chegou até aqui no texto, e não desistiu já por ter alergia clínica à matemática, poderá pensar “certo, gastei mais dinheiro, mas cheguei mais cedo, e tempo é dinheiro!”. Vamos então perceber quanto vos custou cada minuto. Nessa mesma viagem até Setúbal, fiz uma velocidade média de 87km/h.
Vamos supor que, numa realidade alternativa onde o meu pé tinha um bloco de cimento em cima, tinha feito uma média de 97km/h. Isso iria poupar-me 10 minutos na ida e outros tantos na volta. Ou seja, cada minuto poupado custou-me 32 cêntimos. Se o meu emprego fosse, por bizarra coincidência, ser pago para conduzir mais devagar, o meu ordenado à hora seriam 19.30€, quase quatro vezes o salário mínimo nacional!
Numa próxima reflexão, pretendo expandir este tema, debruçando-me sobre o que leva as pessoas a acelerar tanto, maus hábitos de condução e números da sinistralidade rodoviária. Até lá, aproveitem bem este desconto de 50 cêntimos por litro à distância de um pé leve!


