A moda das trotinetas chegou a Porto de Mós. Não sei se venho tarde para falar disto, mas a verdade é que só agora me deparei com jovens de auscultadores nos ouvidos enquanto conduzem – ou flutuam no ar, porque até eu a andar a pé vou mais rápido –, estes velocípedes elétricos de duas rodas. Tenho apenas uma pergunta para quem guia este veículo: é a pilhas ou traz um carregador?
Já pensei em comprar uma trotineta elétrica. Não tenho dinheiro para comprar um carro e acho que se o comprar por peças, só daqui a vinte anos é que consigo montar. Mas seria uma construção básica porque com Legos eu só fazia prisões para as minhas bonecas. Gostava de ser criminosa, e a frase “as leis são para ser quebradas” era o meu lema de infância. Mas eu jamais pisei a linha. É que nem para assustar. Uma noite, disse aos meus pais que se me obrigassem a comer mais alguma vez coelho ao jantar eu fugia de casa. “Foges e vais para onde, filha?”, disseram eles. Boa pergunta. Vou fugir durante a noite, para onde?! Eu até tenho medo do escuro. Nem para fugitiva sirvo. Eles riram-se de mim e eu comi o coelho. Fim.
Porém eu também não seria uma condutora de trotineta competente. É que as minhas capacidades de equilíbrio nunca foram boas. Quando fazíamos a pirâmide nas aulas de Educação Física, eu era sempre um dos elementos da base. Tenho músculo de perna firme e rijo como pedra. Isto era para compensar a minha falta de graciosidade feminina. Não sabia dançar, mas sabia posicionar-me como os lutadores profissionais de Sumo. Acho que passei muito tempo a ver o Marco Horácio
no “Salve-se Quem Puder”, e decorei as poses para caber nos buracos das paredes. Em contrapartida eu nunca parti um único osso do meu corpo. Acredito que todos nascemos com dons… eu nasci com uma boa dosagem de Cálcio.
Sou sincera, as trotinetas trouxeram vantagens a quem conduz, mas tornou-se num pesadelo para o resto das pessoas. É que aquilo só ocupa espaço. Acabam de estacionar, ela cai para o lado e quando uma pessoa passa perto é capaz de não a ver, tropeçar e cair. A andar na estrada, metem-se no meio da via de trânsito, com os auscultadores nos ouvidos a passar Anitta, e nem dá para ultrapassar porque o traço é contínuo. Até a minha mãe que é uma paz de espírito, quando se deparou com isso falou alto a pensar que a pessoa a ouvia, depois apitou-lhe e passou a trotineta à frente, enquanto metia a 2.ª num Renault Clio de 94. Chegar ao ponto de destabilizarem o sossego dela é outro nível. Eu faço isso todos os dias e foi difícil conseguir tal coisa.
Respeito-vos. Mas, vistas as coisa, secalhar até não era mau pensado ter uma trotineta. É que, se ela for a bateria e trouxer um carregador, aproveito e carrego o meu telemóvel enquanto oiço os Hits semanais da Dom Fuas. Além disso, assim também sou capaz de chatear a minha mãe na estrada mais um bocadinho.




