Podia escrever sobre as Presidenciais, mas como diria o poeta Jose Régio ” sei que não vou por aí”. Porquê? Porque está tudo dito, os dados estão lançados, só falta escolher e votar.
Podia escrever sobre sobre a vitória de Jorge Vala para o seu último mandato num total de 12 anos à frente dos destinos do Concelho. Poder podia, mas não diria nada de novo; a campanha terminou, os pelouros estão distribuídos, só falta fazer o que ainda não foi feito. Apesar de toda esta boa onda, na Câmara Municipal tenho a percepção ( a palavra do ano que escolhi ) de que poderá ser o mandato mais difícil para o Presidente; ter uma prazo de validade conhecido com esta antecedência, pode mobilizar egos e ambições, provavelmente legítimas, de quem quer suceder e sentar-se na cadeira de Presidente. Vamos acompanhar com interesse. Mas, também, não vou por aí.
Vou, sim, por aqui: vou almoçar com filósofos! Num tempo de grande agitação, sentarmo-nos à mesa é um privilegio que, nós os Mediterrânicos, sabemos muito bem valorizar. No livro “À Mesa com os Filósofos” de Normand Baillargeon, recordamos bons princípios e explicações curiosas sobre a origem de palavras que hoje usamos com um sentido completamente diferente. Abordemos, um dos capítulos dedicado ao filósofo KANT. Primeiro princípio kantiano “É desejável que não se coma sózinho. As refeições que se tomam na companhia de outras pessoas, são uma manifestação da nossa verdadeira humanidade requintada.” Vou por aqui. Mas sem exageros. Qual o número de convivas adequado para um bom repasto? Kant aconselha “além do anfitrião não se deveriam sentar à mesa menos de dois e o máximo de 10 convivas”. Não é por acaso , que as mesas para casamentos ou recepções têm exactamente este número de lugares. Nada acontece ao acaso. Encontro ainda outro conselho. Ouvir música durante a refeição é de um enorme mau gosto”. Absolutamente de acordo. A refeição é um momento de conversa, devendo proporcionar tanto o prazer da companhia mútua, como o prazer de comer. Kant, no século XVIII, não tinha ainda sequer a percepção de que um outro instrumento poderia prejudicar fatalmente este clima à volta da mesa: o telemóvel. Pior do que qualquer música, o telemóvel não permite a conversa, não auxilia no prazer da refeição e coloca duas pessoas, quatro ou dez em total silêncio, vidrados num ecrã. O que se perde nestes momentos? Histórias de vida que ficam por contar, episódios dos filhos que irão permanecer desconhecidos, o quotidiano de famílias que não aproveitam totalmente o tempo magnífico que uma refeição pode proporcionar. Vou por Kant.


