Durante muitas horas olhámos para uma chaminé minúscula , feia, mas muito famosa ; a chaminé do Vaticano. Milhares de fiéis esperavam e desesperavam ao sol, pelo fumo branco anunciando que o novo Chefe dos fiéis da Igreja Católica, estava eleito. E assim aconteceu, apanhando televisões , repórteres e público completamente de surpresa. Aplausos , telemóveis a registarem o momento para mais tarde recordarem. Esperámos mais algum tempo para sabermos o nome do novo Papa. Leão XIV surgiu , emocionado , sorridente, transmitindo paz no olhar e na pose . Mas um detalhe surpreendeu todos: nasceu nos Estados Unidos da América. Era Americano. O primeiro Papa Norte Americano. Só há uma explicação para esta escolha: O Espírito Santo . Este Espírito Santo tem sentido de humor: impede o desejo infundado de Donald Trump de vir a ser Papa ( só pode ter sido uma brincadeira ), e deixou de ser o Americano mais importante do Mundo. Este Americano é um Papa culto, matemático e teólogo, com uma vida ligada aos mais desfavorecidos, com quem interagiu e a ajudou , no Perú. Fantástico!
Mas porquê Leão XIV? Nada é feito ao acaso, e tudo tem o seu contexto ( desde as vestes que escolheu , em total contraste com as vestes sem cor e sem ostentação do papa Francisco, ao nome e às palavras que usou, tudo tem sentido e justificação. Creio poder afirmar que escolheu este nome para continuar não só o pontificado de Francisco, como também para retomar a doutrina social da Igreja que Leão XIII tratou na Encíclica RERUM NOVARUM , em 1891. As escolhas estão feitas. Apontou caminhos e formas de os percorrer; “criando pontes” de diálogo com todos. Precisamos. Num Mundo cada vez mais perturbado e belicoso, é importante ouvir uma voz de alguém que apela à paz , à família ou famílias, e ao indivíduo, como agente de mudança. Num tempo de outras escolhas que se avizinhavam para o passado dia 18 de maio, seria fundamental distinguir a doutrina social da Igreja da solidariedade social da do Estado: ambas identificam os mais frágeis, mas os meios para os transformar divergem.” O erro fundamental do socialismo é confiar unicamente na acção do Estado”( PIO XI 1931 ). O erro fundamental da Igreja ao longo de séculos pautou- se por aliviar o sofrimento, sem questionar publicamente as estruturas do poder. Hoje, as democracias, a social e a da Igreja, denunciam a exploração do ser humano, valorizam o trabalho como fonte de dignidade, e reivindicam melhores condições de vida para todos, em especial “para os que mais precisarem”.
Caridade para a Igreja, Justiça Social para o Estado.
Completam-se, mas não se devem confundir.


