Habemus Papam

23 Maio 2025

Durante muitas horas olhámos para uma chaminé minúscula , feia, mas muito famosa ; a chaminé do Vaticano. Milhares de fiéis esperavam e desesperavam ao sol, pelo fumo branco anunciando que o novo Chefe dos fiéis da Igreja  Católica,  estava eleito.  E assim aconteceu, apanhando televisões , repórteres e público  completamente de surpresa. Aplausos , telemóveis a registarem o momento para mais tarde recordarem.  Esperámos mais algum tempo para sabermos o nome  do novo Papa. Leão XIV surgiu , emocionado , sorridente, transmitindo paz no olhar e na pose . Mas um detalhe surpreendeu  todos: nasceu nos Estados Unidos da América. Era Americano. O primeiro Papa Norte Americano. Só há uma explicação para esta escolha: O Espírito Santo .  Este Espírito Santo tem sentido de humor: impede  o desejo infundado de Donald Trump  de vir a ser Papa  ( só pode ter sido uma brincadeira ), e  deixou de ser o Americano mais importante do Mundo. Este Americano é um Papa culto, matemático e teólogo, com uma vida ligada aos mais desfavorecidos, com quem interagiu e a ajudou , no Perú.  Fantástico!

Mas porquê Leão XIV? Nada é feito ao acaso, e tudo tem o seu contexto ( desde as vestes que escolheu , em total contraste com as vestes sem cor e sem ostentação do papa Francisco, ao nome e às palavras que usou, tudo tem sentido e justificação. Creio poder afirmar que escolheu  este nome para continuar não só o pontificado de Francisco, como também para retomar  a doutrina social  da Igreja que Leão XIII tratou na Encíclica  RERUM NOVARUM  , em 1891. As escolhas estão feitas. Apontou caminhos e formas de os percorrer; “criando pontes” de diálogo com todos. Precisamos. Num Mundo cada vez mais perturbado  e belicoso, é importante  ouvir uma voz de alguém  que apela à paz , à família ou famílias, e  ao indivíduo, como agente de mudança. Num tempo de outras escolhas que se avizinhavam  para o passado dia 18 de maio,  seria fundamental  distinguir a doutrina social da Igreja da solidariedade  social da do Estado: ambas identificam os mais frágeis, mas os meios para os  transformar divergem.” O erro fundamental do socialismo  é confiar unicamente na acção do Estado”( PIO XI 1931 ). O erro fundamental da Igreja ao longo de séculos pautou- se  por  aliviar o sofrimento, sem  questionar publicamente as estruturas do poder.  Hoje, as democracias, a social e a da Igreja,   denunciam   a exploração do ser humano, valorizam o trabalho  como fonte de dignidade, e reivindicam  melhores condições de vida  para  todos, em especial “para os que mais precisarem”.

Caridade para a Igreja, Justiça Social para o Estado.

Completam-se, mas não se devem confundir.