Vivemos tempos estranhos. O panorama geopolítico está em absoluta mudança, com uma crise de valores que remetem aos mais sombrios tempos da humanidade. Políticos que pedem à população que não veja o que vê, porque os seus olhos não são suficientes. Manipulação descarada de notícias e criação de versões alternativas à realidade, à moda de um bom filme de ficção científica.
Nesta fase da nossa história, em que tudo o que se passa é documentado, seria de esperar uma transparência sem precedentes, mas o que está a acontecer é precisamente o oposto: a inteligência artificial facilita a criação de imagens e vídeos de tal forma credíveis que, no fundo, passamos é a desconfiar de tudo. Se antes não havia como provar determinadas ações, hoje temos ferramentas para descredibilizar as fontes de prova que teríamos ao dispor. No cenário internacional mais mediático, entenda-se Estados Unidos da América, vemos acontecer o que parecia impossível: um pântano de lodo, com um completo idiota a desgovernar aquele que tem sido, até agora, um dos grandes motores da estabilidade bélica ocidental. Para o bem e para o mal, aquela força militar trazia segurança a grande parte do nosso lado do mundo. E agora, que caiu nas mãos de um criminoso condenado, de um egocêntrico maníaco com um comportamento digno dos maiores ditadores que conhecemos, vai tudo por água abaixo. A superficialidade da sua postura é de tal forma grotesca que consegue destruir a confiança internacional e a nacional ao mesmo tempo. E porque nos devemos preocupar com um país que está do outro lado do atlântico? Porque a sua economia abrange praticamente todos os países do planeta, incluindo a do nosso jardim à beira mar plantado. Mas não só: podemos antever o que aconteceria se o nosso projeto de mini ditador, cuja sede de poder mascarara com o “dever patriótico”, chegasse ao poder efetivo. Um político que, pior do que ter uma ideologia com a qual poderíamos discordar, não tem ideologia nenhuma. Tanto faz: se der votos, ele vai. Se deixar de dar votos, ele deixa de ir. Os outros partidos são assim? Talvez, mas ele diz que quer ser diferente. Também desconheço outro partido com ligação a grupos extremistas xenófobos, racistas e nazistas. Não consegue fazer no seu partido aquilo que se propõe fazer pelo país: livrar-se da “bandidagem”. Diz que o fará pelo país, mas não consegue desvincular-se da “bandidagem” que flui livremente pelos cargos que o malogrado sistema lhes permite ter. Sim, os tachos que o Chega oferece aos seus filiados depois de criticar toda a gente por quererem tachos. Não se consegue ver a incongruência? Parece que não, tendo em conta as mais recentes eleições.


