Considero-me uma pessoa optimista. Contudo, os vários cenários internacionais, nacionais e domésticos obrigam-me a ser mais realista. Tenho lido e ouvido muitos testemunhos a todos os níveis e há uma total concordância no seguinte: o nosso quotidiano mudou e muda a uma velocidade surpreendente. Temos casas melhores, mas estamos mais sozinhos, temos internet mais rápida para facilitar a comunicação e interagimos cada vez menos pessoalmente, temos melhores salários, mas tudo está mais caro e há famílias que não conseguem fazer face às despesas essenciais. As instituições Europeias vivem com dilemas profundos e imprevisíveis com as mudanças ocorridas nos Estados Unidos da América. Pensou-se, a certa altura, que as mudanças ocorreriam, ou na China , ou na Rússia. Afinal a alteração profunda veio com Donald Trump, nos EUA. E não teremos sossego tão depressa. O investimento na Defesa será inevitável e seguramente outros cortes se anunciarão… Não teremos alternativas? Eu creio que o Homem encontrará sempre caminhos dentro da Democracia e da Liberdade, muitas vezes com riscos para as Comunidades atingidas pelas ditaduras. A Democracia tem de responder aos desafios actuais e para que isso aconteça as pessoas que votam terão de sentir que participar e votar contam. No momento em que escrevo este texto, não sei quem será o próximo Presidente da República. Sei apenas que comparando o que se passou com as eleições em 1986 e o clima que se vive hoje no país não tem paralelo. A esperança, a alegria, a paixão pela política que se vivia em cada rosto e em cada telejornal era absolutamente contagiante. O que se perdeu? Como chegámos a este estado de alheamento da política? Sempre aconteceu alguma abstenção, mas entre os 22,01 % de 1986 e os 60,8% de 2021 vai um mar de cidadãos indiferentes, desconfiados, sem interesse pelas escolhas que lhe são apresentadas. Nunca tivemos gerações tão escolarizadas, porém cada vez menos interessados na actividade social, política ou de envolvimento no voluntariado. Como alterar esta situação? A Paz que a minha geração viveu nos últimos 50 anos, está em risco. Mas nós lutámos, reivindicámos, vivíamos e bebíamos política em cada esquina. As lutas, hoje são outras, mas precisam igualmente da energia dos jovens e da experiência dos mais velhos. Devemos recuperar a esperança e a certeza de que “a Democracia é o pior sistema de governo, à excepção de todos os outros que têm sido experimentados” Winstons Churchil. Cuidem dela todos os dias.


