Política de (des)educação

12 Agosto 2025

Não é só de agora que políticos se servem da Educação para alcançar os seus fins. É um triste e obsceno abuso de crianças e jovens, da sua preparação para o futuro, da deturpação da perceção da realidade e é até mesmo uma certa manipulação. Felizmente, estão cá os professores para equilibrar o barco e acrescentar uma colherada de bom senso naquilo que são, muitas vezes, políticas de educação absolutamente desastrosas. E é apenas isso que podemos fazer, dado que não temos voto na matéria quando são definidas as ditas regras.  O que acontece de diferente hoje em relação à perceção da influência da política no rumo da Educação é que as pessoas têm um acesso muito maior à informação e, para o bem ou para o mal, mais meios para  expressar e fazer ouvir as suas opiniões.  Com isto esclarecido, devo dizer que fiquei estarrecido com o tema “quente” da atualidade na Educação: a exclusão do tema “sexualidade” do programa da  disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. E fiquei estarrecido por duas razões: em primeiro lugar, e apenas por uma questão de princípio, a cedência do governo perante a pressão de partidos de atrasados (no tempo e na mentalidade) que, com ideologias ditatoriais e puritanas (aplicadas aos outros, porque a eles próprios…), continuam a achar que o tema da sexualidade e da educação sexual devem ser assunto tabu. Continua-se a pensar que se pode estudar e analisar a constituição do sistema digestivo sem qualquer objeção, mas a do sistema reprodutor já não, como se este não pertencesse ao organismo de cada um, mas sim a um organismo moral coletivo que pode ditar os critérios de utilização; e depois, por se achar que retirar o tema da sexualidade da disciplina de cidadania é acabar com a educação sexual ou o tema da sexualidade. Não é! O tema é abordado em várias disciplinas ao longo dos quatro ciclos de escolaridade, com especial destaque na disciplina de Ciências Naturais. Não se pode ensinar o funcionamento do sistema reprodutor sem falar em sexualidade. Não consigo explicar o que é e como funciona um pénis sem dizer para o que serve, não é? Achar que, por se retirar o tema de uma disciplina em particular, ele sai do currículo, é de quem não sabe o que passa nas escolas.

Esta pequena desarmonia é apenas uma insignificância numa divergência, de longa data, entre fazer-se da Educação uma poderosa ferramenta para a formação de seres maiores, auto conscientes, empáticos, percetivos e críticos ou um utensílio para criar manadas de seres apáticos, encarneirados, “bem-mandados” e amorfos.