Sónia Leirião, psicóloga no Hospital de Leiria e na Clínica de Santa Marta, na Calvaria de Cima, foi uma das oradoras da Feira da Saúde e Bem-Estar, tendo abordado o tema “Mindfulness” e Saúde Mental. A psicóloga começou por explicar o conceito de meditação, dizendo que é estar connosco próprios, «sentir a respiração e não permitir que todo o barulho interno dos pensamentos nos faça viajar através deles». «Meditar permite-me baixar o volume deste discurso interno, não lhe dar tanta atenção e, logo aí, estou a ganhar qualidade de vida», explica. Isto porque, na sua opinião, vivemos muito para o passado e para o futuro e acabamos por não conseguir focar-nos no presente, além disso, «estamos habituados a viver muito “para fora” e temos de aprender a viver “para dentro”, porque o nosso mundo passa-se entre as nossas orelhas».

Assim, Sónia Leirião apresenta o mindfulness como uma forma de atingir estas metas. «Mindfulness é sair do piloto automático» naquilo que são as nossas tarefas diárias e os nossos hábitos. «Sempre que possível, devemos praticar a atenção plena», isto é tomar consciência do que fazemos, quer com exercícios de respiração, quer, por exemplo, quando estamos a lavar os dentes ou a comer, diz.

Na palestra, a psicóloga explicou, então, as atitudes do mindfulness, que podem ajudar-nos a caminhar nesse sentido. A primeira é o não julgamento, ou seja, «as coisas são como são, não há certo nem errado, no nosso dia-a-dia estamos sempre a colocar as coisas dentro de caixinhas, certo, errado, preto, branco, mas há uma panóplia de cinzentos tão grande que não dá para quantificar», começa por referir, acrescentando que «sempre que não julgamos, estamos a criar saúde mental». A segunda atitude é a paciência, que Sónia Leirião explica como sendo «saber que cada coisa tem o seu tempo e estar bem com isso». Em terceiro lugar surge a «mente de principiante», ou seja, ter a capacidade de «olhar para as coisas como se fosse a primeira vez». «Se tivermos esta filosofia para a nossa vida, somos muito mais felizes, porque não estamos tão robotizados, tão em piloto automático», refere.

Em quarto lugar, aparece a confiança, a capacidade de «confiarmos em nós, no nosso corpo, nas nossas emoções», sabendo que «tudo é mutável» e que aquilo que defendo hoje, pode não ser a minha opinião daqui a um ano. O «não esforço» surge de seguida para lembrar que «quando deixamos de fazer esforço, as coisas fluem, acontecem de forma mais natural». A aceitação é também uma das atitudes a praticar, uma vez que, de acordo com a psicóloga, «quando aceitamos e vemos as coisas como elas são, estamos em paz». Importante também é a atitude de «deixar estar e deixar ir», que é «aquilo que fazemos ao adormecer». «Quem tem dificuldades em adormecer, tem problemas de confiança, problemas em deixar ir e deixar estar», afirma, acrescentando que devemos estar na vida com essa postura que temos ao adormecer, «confiando».

Outro dos passos fundamentais é a gratidão. Sónia Leirião afirma que «a gratidão é a forma de proteger a mente de reclamar». «Devemos aproveitar o momento nem que seja para agradecer o facto de estarmos vivos», avança. Por fim, aparece a generosidade, que «se está a perder um bocadinho» e que «potencia a nossa relação com o outro». A psicóloga afirma que ao praticarmos estas atitudes, o nosso «olhar sobre as coisas muda». «As coisas são como são, não mudam, e partindo do pressuposto que vivemos dentro da nossa cabeça, o nosso olhar é que muda e, aí, as coisas mudam para nós», conclui.