Armindo Vieira

Achegas para a história local (1) – Joaquim Pereira

22 Abr 2022

Desde muito novos que ouvimos falar de Joaquim Pereira, figura importante nas Pedreiras no início do século XX, contribuindo bastante para o desenvolvimento da que é hoje freguesia.

Homem de poucas letras mas de grande interesse cultural, era natural do lugar do Barreiro, à época da freguesia de São Pedro e atualmente das Pedreiras, procurou sempre os interesses da sua terra, pois foi por sua influência que, por volta de 1904 ou 1905, se criou e instalou a escola nas Pedreiras, inicialmente só para o sexo masculino.

No princípio esta escola foi instalada num corredor, ao lado da sacristia da então Capela de São Sebastião, em fracas condições para o ensino, como diria mais tarde o professor Joaquim Costa Rei, que ali lecionou.

Pelo que nos é dado a conhecer e tendo por base os relatos escritos no semanário O Povo de Porto de Mós, Joaquim Pereira estava envolvido em todas as iniciativas de cariz cultural ou político que se realizavam em Porto de Mós.

Após a implantação da República chegou a secretariar a Administração do Concelho e a Câmara Municipal de Porto de Mós, tendo também ocupado o cargo de vereador, nunca descurando o interesse que tinha pela sua terra, dum modo especial as Pedreiras e lugares limítrofes.

Devido à influência que tinha junto das autoridades concelhias e junto dos párocos de São João Baptista e de São Pedro, Joaquim Pereira encabeçou um movimento que teria por base a criação da paróquia e freguesia das Pedreiras, desanexando-a das freguesias de São João Baptista e de São Pedro de Porto de Mós, o que viria a acontecer no ano de 1924. Houve ainda necessidade de juntar alguns lugares da freguesia do Juncal.

Como se sabe, tanto a paróquia como a freguesia das Pedreiras foram criadas em 1924, a primeira com provisão de D. José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria, datada de 5 de Agosto, e a segunda com promulgação do então presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, com data de 19 de Dezembro.

Criada a freguesia havia que nomear ou eleger um presidente para dirigir os seus destinos e, esse cargo, foi entregue a Joaquim Pereira, talvez devido a ter sido o maior impulsionador da sua criação.

Joaquim Pereira esteve também ligado à criação da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Porto de Mós, cuja primeira sede teve lugar nas Pedreiras.

A figura de Joaquim Pereira foi realçada nas Pedreiras em 1976, durante a campanha eleitoral autárquica, na candidatura daquele que seria o primeiro presidente eleito da Junta de Freguesia, após o movimento de 25 de Abril de 1974, Luiz Domingos, que o tomou como exemplo, numa candidatura sem qualquer apoio partidário.

Segundo os residentes na freguesia, o facto a que se referia a importância de Joaquim Pereira, devia-se a ser “amigo dos Crespos”, apelido familiar das pessoas “que na época governavam Porto de Mós”, como se dizia à boca pequena.

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