Armindo Vieira

Achegas para a história local (3) – Um temporal em Porto de Mós

20 Jun 2022

Estamos em crer que haverá ainda bastantes portomosenses que se lembram do temporal ocorrido em 15 de fevereiro de 1941, que assolou todo o país e «assumiu nesta região proporções terríveis», como nos dá conta o semanário A Voz do Domingo, edição número 413, de 23 de fevereiro daquele ano.

O articulista começa por referir que «não há memória de coisa assim», adiantando que «os prejuízos são enormíssimos e não ousamos sequer calculá-los», sendo que a vila propriamente «pouco sofreu».

No entanto, na parte alta, «voaram alguns telhados e derruiu uma outra chaminé» e na alameda do Rocio «quebraram ou caíram quatro grandes árvores». Além disso os maiores estragos deram-se nos arredores, em que as oliveiras «levaram um desbaste medonho», salienta o semanário.

Na serra viam-se os moinhos de vento «sem velas e só com os braços a desandarem», com outros a serem levados pela «fúria do vendaval». Também as estradas «ficaram intransitáveis devido a árvores que as obstruíram» e «as carreiras de camionetas não funcionaram».

Devido a isso e para exemplificar o encerramento das vias, conta-se na local de A Voz do Domingo que «um médico da nossa vila, para socorrer urgentemente um doente a 9 quilómetros, teve de percorrer 90 e tal».

Mas, segundo a notícia, os efeitos da catástrofe foram bastante elevados e de «funções mais trágicas», na estação de Caminhos de Ferro do Lena em que «os estragos ali sobem a centenas de contos», havendo até quem fale em 500.

O semanário leiriense especifica então que «os dois hangares do material rolante ficaram completamente destelhados» e à entrada de um deles veem-se «dois vagons tombados pelo vento». Também quatro armazéns «um deles de sessenta metros de comprido» ruíram totalmente, pelo que «há grande prejuízo nos materiais armazenados», dum modo especial, material eléctrico. «Pesadas folhas de zinco dos telhados andavam nos ares como folhas de papel», explica a notícia.

A Voz do Domingo depois de referir que a rede eléctrica «ficou gravemente avariada», acrescenta que o comboio que vinha da Martingança «teve que ser abandonado pelos tripulantes que, não podendo avançar e vendo tanto pinheiro a cair, acharam melhor pôr-se a pé».

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